Davos voltou a ser mais do que economia. Durante o Fórum Econômico Mundial de 2026, decisões informais,
convites discretos e encontros fora do palco oficial redesenharam parte da diplomacia internacional em torno de Israel —
longe das câmeras e dos comunicados formais.
Davos, janeiro de 2026. Todos os anos, o Fórum Econômico Mundial reúne líderes políticos, empresários e diplomatas sob o discurso da cooperação global. Mas, nos corredores, hotéis e encontros reservados, Davos continua exercendo um papel menos visível — e muitas vezes mais decisivo: o da diplomacia informal.
Este ano, um novo elemento concentrou atenções discretas: o Board of Peace, uma iniciativa apresentada pelos Estados Unidos à margem do fórum, num momento em que os equilíbrios diplomáticos no Médio Oriente permanecem frágeis.
Um convite que não passou despercebido
Segundo várias fontes diplomáticas, Israel recebeu um convite formal dos Estados Unidos para integrar o Board of Peace, uma estrutura promovida pelo presidente Donald Trump durante a 56.ª edição do WEF.
O projeto foi descrito como um quadro flexível de apoio a processos de cessar-fogo e reconstrução pós-conflito, com foco inicial na situação em Gaza. Diferentemente de organizações multilaterais clássicas, o Board foi apresentado como um espaço político menos rígido, destinado a facilitar acordos pragmáticos.
De acordo com informações recolhidas em Davos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovou a participação de Israel na iniciativa. Ainda assim, Israel não esteve presente na assinatura formal da carta fundadora, realizada durante o fórum.
Prudência estratégica em Jerusalém
Esse detalhe reflete a postura adotada por autoridades israelenses: abertura ao diálogo, mas com cautela.
Para Israel, fóruns informais como Davos continuam sendo úteis para manter canais diplomáticos ativos, sobretudo num cenário internacional cada vez mais polarizado. Ao mesmo tempo, existe preocupação quanto ao enquadramento político do Board of Peace e às suas possíveis sobreposições com mecanismos já existentes, como as Nações Unidas.
Fontes diplomáticas apontam que o mandato operacional do Board ainda não está claramente definido, o que explica por que alguns países optaram por aderir, enquanto outros preferiram manter distância.
Quem aderiu — e quem ficou de fora
Assinatura inicial
- Estados Unidos — a carta fundadora foi assinada pelo presidente Donald Trump em Davos.
Países que confirmaram participação
Segundo informações convergentes, incluem:
- Israel
- Arábia Saudita
- Catar
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Turquia
- Paquistão
Outros países da Ásia, Europa Oriental e América do Sul sinalizaram aceitação do convite, embora sem anúncios públicos detalhados.
Estrutura e figuras centrais
O governo americano indicou nomes-chave ligados à iniciativa:
- Jared Kushner, como coordenador político
- Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA
- Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico
- Steve Witkoff, enviado especial
- Ajay Banga (Banco Mundial) e Marc Rowan (setor financeiro)
Países que recusaram ou demonstraram reservas
- França
- Alemanha
- Bélgica
- Canadá
- Noruega, Suécia, Espanha, Itália e Reino Unido
Potências como China, Rússia e Índia foram convidadas, mas não anunciaram adesão até o momento.
O que isso revela sobre Davos — e sobre Israel
Mais do que um novo organismo, o Board of Peace expõe uma realidade conhecida dos diplomatas: muitas decisões começam fora das instituições formais, em espaços como Davos, onde o diálogo acontece sem compromissos imediatos.
Para Israel, a escolha não é binária. Participar dessas iniciativas significa estar presente onde as conversas começam, sem necessariamente validar todos os seus formatos. Manter distância, por outro lado, também é uma opção estratégica quando os contornos ainda são incertos.
Davos 2026 mostrou, mais uma vez, que a diplomacia global não se decide apenas em salas oficiais — e Israel sabe disso.
Atualização — última hora
Espanha não participará no Board of Peace.
Segundo informações divulgadas nas últimas horas, o governo espanhol confirmou que não irá aderir à iniciativa Board of Peace apresentada durante o Fórum Econômico Mundial de Davos.
Madri junta-se assim ao grupo de países europeus que optaram por não participar da estrutura neste momento, invocando reservas quanto ao seu enquadramento político e ao seu modelo de governança.
Esta atualização não altera o quadro geral descrito acima, mas reforça as divisões existentes entre países europeus quanto à iniciativa.
