Zohran Mamdani revoga referência à definição IHRA no 1º dia como prefeito de Nova York e gera controvérsia
Nova York — A estreia de Zohran Mamdani na Prefeitura de Nova York começou sob forte contestação pública após a revogação de medidas do seu antecessor, incluindo a ordem executiva que reconhecia a definição de antissemitismo da IHRA como referência municipal.
O que Mamdani disse durante a campanha
Durante a campanha, Mamdani já havia declarado que deixaria de utilizar a definição da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) como base oficial da cidade. O argumento central era que, na sua visão, certas utilizações dessa definição tenderiam a confundir crítica a Israel ou ao sionismo com antissemitismo, produzindo efeitos indesejados sobre o debate político.
Críticos — incluindo representantes comunitários e setores políticos — sustentam o contrário: afirmam que o afastamento da IHRA enfraquece ferramentas institucionais para identificar e responder ao antissemitismo contemporâneo, inclusive quando este aparece sob linguagem “política” ou “ideológica”.
O que foi reportado no “Dia 1” de mandato
Na posse, Mamdani assinou uma ordem abrangente revogando um conjunto amplo de ordens executivas emitidas pelo ex-prefeito Eric Adams após o período posterior à sua acusação federal — um gesto apresentado como “recomeço” administrativo.
Entre as medidas atingidas, reportagens indicam a revogação do reconhecimento municipal da definição IHRA por meio da ordem executiva de Adams que tratava do tema (a Executive Order 52 de 2025, publicada no site oficial da cidade). Segundo a formulação do texto, a cidade reconhecia a definição IHRA e encorajava agências a considerá-la “conforme apropriado”.
Reação de organizações judaicas e controvérsia no @NYCMayor
Organizações judaicas reagiram com preocupação, interpretando a revogação como um sinal político negativo num contexto de aumento de incidentes antissemitas nos EUA. O debate ganhou ainda mais força após críticas sobre o desaparecimento de publicações ligadas ao combate ao antissemitismo na conta oficial @NYCMayor, associadas à gestão anterior.
Segundo relatos na imprensa, o gabinete do novo prefeito afirmou que a remoção de posts teria sido parte de procedimentos de arquivo/gestão de conteúdo e reafirmou compromisso em combater o antissemitismo, incluindo a intenção de manter iniciativas específicas de combate ao ódio.
E a questão “anti-BDS”: houve revogação de restrições a boicotes?
Uma segunda discussão corre em paralelo: a existência de ordens executivas na era Adams sobre políticas municipais relacionadas a boicotes e desinvestimentos ligados a Israel. Há veículos a reportarem que a revogação ampla das ordens executivas também teria alcançado medidas descritas como “anti-BDS”.
O ponto-chave para leitores e observadores é que esta matéria envolve duas camadas distintas: (1) a definição IHRA como enquadramento institucional contra o antissemitismo e (2) regras administrativas sobre boicotes/desinvestimentos envolvendo entidades municipais. Ambas se cruzam no debate público, mas não são exatamente a mesma coisa.
Por que isto importa
Nova York não é apenas a maior cidade dos EUA: é também uma das maiores comunidades judaicas do mundo fora de Israel. Por isso, mudanças no enquadramento oficial de combate ao antissemitismo têm impacto simbólico e político significativo — e tendem a influenciar discussões nacionais sobre liberdade de expressão, discurso de ódio, segurança comunitária e políticas públicas.