Argentina classifica a Força Al-Qods como organização terrorista e reforça o combate ao terrorismo iraniano
Buenos Aires, janeiro de 2026
O governo da Argentina, sob a liderança do presidente Javier Milei, decidiu classificar oficialmente a Força Al-Qods como organização terrorista, numa medida considerada significativa para o reforço da resposta internacional ao terrorismo patrocinado pelo Irão.
A decisão representa também um gesto de forte valor simbólico e histórico, ao honrar a memória das vítimas dos atentados terroristas que atingiram a Argentina, nomeadamente o ataque contra a embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, e o atentado contra a AMIA, em 1994, que causaram dezenas de mortos e permanecem entre os mais graves atos terroristas da história do país.
O que é a Força Al-Qods
A Força Al-Qods é a unidade responsável pelas operações externas do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A sua missão inclui operações clandestinas no estrangeiro, coordenação com grupos armados aliados e apoio logístico, financeiro e militar a milícias ativas no Médio Oriente e noutras regiões.
Segundo múltiplas análises internacionais, a Força Al-Qods tem desempenhado um papel central no apoio a organizações armadas como o Hezbollah no Líbano, bem como a diversas milícias no Iraque, na Síria e no Iémen, sendo frequentemente apontada como um instrumento-chave da projeção externa do regime iraniano.
Uma decisão com impacto internacional
Com esta classificação, a Argentina junta-se a outros países que já consideram a Força Al-Qods e o IRGC como entidades terroristas, sublinhando a necessidade de nomear explicitamente as estruturas envolvidas em terrorismo internacional.
Observadores destacam que esta decisão reforça a coerência da política argentina de combate ao terrorismo e envia um sinal claro à comunidade internacional sobre a importância de enfrentar redes terroristas transnacionais, independentemente da sua ligação a Estados.
Repressão externa e interna
Para além das suas atividades fora do Irão, a Força Al-Qods é também associada, de forma mais ampla, ao aparelho repressivo do regime iraniano, acusado de reprimir violentamente a própria população e de violar direitos fundamentais. Esta dupla dimensão — externa e interna — contribui para a sua perceção como uma ameaça persistente à segurança regional e global.
Um apelo a outros países
A decisão argentina é vista como um precedente relevante e alimenta o debate em vários países sobre a eventual classificação do IRGC e das suas unidades como organizações terroristas. Analistas consideram que medidas semelhantes poderiam reforçar a cooperação internacional e limitar a capacidade operacional destas estruturas.
Ao classificar a Força Al-Qods como organização terrorista, a Argentina afirma uma posição clara na luta contra o terrorismo e contribui para a consolidação de um quadro internacional mais firme face às ameaças transnacionais.