É profundamente lamentável que Nicolás Maduro nunca tenha sido julgado por uma justiça independente em seu próprio país, a Venezuela. Tal é o próprio das ditaduras: elas aniquilam sistematicamente a independência do poder judiciário, intimidam os magistrados, controlam a Assembleia Nacional e reprimem qualquer voz dissidente para garantir a impunidade total no território nacional.
A história está cheia de exemplos em que líderes derrotados ou capturados fora de seu território tiveram que abandonar suas ambições: Francisco I, feito prisioneiro no campo de batalha de Pavia em 1525, teve que renunciar às suas pretensões sobre a Lombardia e vastos territórios italianos; Napoleão III, capturado em Sedan em 1870, viu o fim de seu império; Slobodan Milošević, extraditado e julgado fora da Sérvia pelo Tribunal Penal Internacional em 2002, finalmente respondeu por seus crimes.
Em 6 de janeiro de 2026, após sua captura pelos Estados Unidos e sua comparência em Nova York por narco-terrorismo, Maduro ilustra essa mesma realidade: as vítimas venezuelanas ainda aguardam uma justiça completa, tornada impossível pela destruição das instituições nacionais sob seu regime.
Num mundo novamente dominado por impérios e esferas de influência, a intervenção americana contra Maduro representa uma extensão moderna do “dever de ingerência” humanitária, aplicada desta vez fora do quadro da ONU. A ONU, paralisada pelos vetos e tendo perdido toda a objetividade diante de regimes autoritários apoiados por certos membros permanentes, já não consegue cumprir seu papel. Esta ação unilateral, justificada pela gravidade dos crimes e pelas ameaças transnacionais (narco-terrorismo, proliferação armamentista), reafirma que um Estado pode legitimamente intervir para proteger as populações e a segurança global quando os mecanismos multilaterais falham.
O terrorismo de Estado: alianças narco-terroristas com o Irã e o Hezbollah
Antes mesmo dos crimes de direito comum, o regime de Nicolás Maduro destacou-se pelo apoio ativo ao terrorismo internacional, transformando a Venezuela em placa giratória para redes iranianas e do Hezbollah. Essas alianças, forjadas sob Hugo Chávez e reforçadas sob Maduro, incluem:
- Alianças narco-terroristas com terroristas do Oriente Médio
A Venezuela forneceu santuário ao Hezbollah (organização terrorista apoiada pelo Irã) para operações de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e financiamento do terrorismo. A ilha de Margarita é frequentemente citada como base segura.• Atlantic Council (2020, ainda atual) : The Maduro-Hezbollah Nexus
• Congresso americano (audiências) : Hezbollah na América Latina - Base de operações para o Hezbollah e acolhimento de instalações iranianas de produção de armas
Técnicos iranianos supervisionam linhas de produção de drones de combate (Mohajer-6) em solo venezuelano, por meio de empresas como a EANSA. A Venezuela tornou-se um hub de proliferação de UAVs iranianos.• Tesouro dos EUA (sanções 2025) : Comércio de armas Irã-Venezuela
• Army Recognition (2026) : Mohajer-6 na Venezuela - Maduro se proclama membro do “Eixo da Resistência”
Maduro declarou publicamente: «Todos nós fazemos parte do Eixo da Resistência», alinhando a Venezuela ao Irã, ao Hezbollah e seus proxies contra os Estados Unidos e Israel.• Declaração de Maduro (2022) : Maduro: We are all part of Axis of Resistance - Modus operandi do financiamento terrorista baseado no petróleo
A PDVSA utiliza navios-tanque fantasmas (shadow fleet) para transportar petróleo bruto pesado ou coque de petróleo verde. Os pagamentos são feitos via USDT (Tether) em carteiras fornecidas pela PDVSA, permitindo a evasão de sanções e o financiamento de redes terroristas. Até 80% das vendas de petróleo bruto são feitas dessa forma em criptomoeda.• Atlantic Council (2025) : Venezuela usa cripto (USDT) para vender petróleo
• Reuters e fontes 2025: pagamentos USDT e navios-tanque sombra.
Os crimes de direito comum e contra a humanidade
- Crimes contra a humanidade (perseguição política, tortura, desaparecimentos forçados, assassinatos) → documentados pela ONU e pelo TPI desde 2014.
• Relatório da ONU : Missão de apuração dos fatos
- Execuções extrajudiciais → milhares pelas FAES e GNB.
• Human Rights Watch : repressão pós-2024.
- Tortura e violência sexual sistemática → praticada pelo SEBIN e DGCIM.
• Anistia Internacional (2024-2025).
- Detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados → milhares de opositores.
• HRW e Anistia.
- Repressão violenta de manifestações → centenas de mortos (2014-2024).
• Relatórios da ONU e HRW.
- Narco-terrorismo e tráfico de drogas → colaboração com as FARC, toneladas de cocaína para os EUA (acusações DOJ 2020, julgamento em curso).
• DOJ : Ato de acusação
- Corrupção massiva → desvio de bilhões (PDVSA, CLAP, ouro).
• Tesouro dos EUA e Transparencia Venezuela.
O regime qualifica todas essas acusações de “campanha imperialista”. No entanto, a captura de Maduro e seu julgamento no exterior mostram que, diante da impunidade interna dos ditadores, a justiça às vezes deve se impor de fora — para o bem das vítimas e da estabilidade mundial.