PURSUE: os EUA divulgam arquivos sobre fenómenos anómalos não identificados — o que dizem na verdade

O governo dos Estados Unidos publicou centenas de documentos outrora classificados no portal oficial war.gov/UFO, dedicados aos fenómenos anómalos não identificados (UAP). A operação de desclassificação, chamada PURSUE, é inédita pela sua dimensão. Mas convém esclarecer desde já: nenhum destes arquivos prova que exista vida extraterrestre.

O que é o PURSUE

PURSUE significa Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters. É o mecanismo criado para localizar, examinar, identificar, desclassificar e divulgar os arquivos federais sobre UAP. O portal, alojado em war.gov/UFO, permite pesquisar, filtrar e descarregar os ficheiros por data de publicação, agência de origem e tipo de documento.

Sob que autoridade

A iniciativa é conduzida pelo Department of War (o antigo Departamento da Defesa), com o apoio do Gabinete do Diretor de Informações Nacionais (ODNI). Decorre de uma declaração do presidente Donald Trump, de 19 de fevereiro de 2026, que apelou à transparência sobre a informação governamental relativa aos UAP. «O Department of War atua em sintonia com o presidente Trump para trazer uma transparência sem precedentes», afirmou o secretário da Guerra, Pete Hegseth, no comunicado oficial. O trabalho envolve dezenas de agências e a revisão de dezenas de milhões de documentos, muitos deles existentes apenas em papel.

Divulgação por levas

Os ficheiros são publicados à medida que são desclassificados. A primeira leva ficou disponível a 8 de maio de 2026; a quinta e mais recente, a 7 de agosto de 2026. Os documentos provêm do FBI, do Department of War, da NASA e do Departamento de Estado, entre outros. Incluem PDF, vídeos e recriações digitais — por exemplo uma «análise fílmica de objetos não identificados» datada de 1953, ou reconstruções de triângulos escuros com luzes.

Nem prova, nem conclusão

O portal é explícito: trata-se de casos «não resolvidos», em que o Estado «não está em condições de fazer uma determinação definitiva sobre a natureza do fenómeno observado». Por isso, o governo convida abertamente o setor privado a contribuir com a sua análise e experiência. Igualmente importante: os visuais mais marcantes são recriações digitais baseadas em relatos de testemunhas, e não fotografias de objetos reais. Os casos considerados resolvidos são objeto de um relatório distinto, exigido por lei.

Porque é que isto importa

O significado do PURSUE não está numa alegada «revelação» extraterrestre, mas no grau de transparência governamental sobre um tema durante muito tempo entregue à especulação. Ao abrir os seus arquivos e convidar o escrutínio externo, a administração desloca a questão da crença para o método: colocar os dados em aberto e deixar que investigadores, jornalistas e cidadãos os avaliem. Talvez seja essa a verdadeira notícia.

Perguntas frequentes

O portal war.gov/UFO prova que existe vida extraterrestre?

Não. Os documentos divulgados dizem respeito a casos ditos «não resolvidos»: o governo afirma não conseguir determinar de forma definitiva a natureza do que foi observado, muitas vezes por falta de dados suficientes. Nenhum arquivo constitui prova de vida extraterrestre.

O que é o programa PURSUE?

PURSUE (Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters) é o sistema interagências encarregado de localizar, examinar, desclassificar e publicar os arquivos federais relativos aos fenómenos anómalos não identificados. É conduzido pelo Department of War com o apoio do ODNI e está alojado em war.gov/UFO.

Quem divulga os documentos e desde quando?

A iniciativa segue uma diretiva do presidente Donald Trump de 19 de fevereiro de 2026. A primeira leva foi publicada a 8 de maio de 2026 e a quinta, a mais recente, a 7 de agosto de 2026. As fontes incluem o FBI, o Department of War, a NASA e o Departamento de Estado.

As imagens de triângulos e luzes são fotografias reais?

Não. Vários dos visuais mais impressionantes são recriações digitais feitas a partir de descrições de testemunhas. São ilustrações do que as testemunhas relataram, e não fotografias de objetos reais.

Fontes

Por Patrick Lancier

By admin