Hezbollah ataca soldados israelitas; Israel elimina comandante da Força RadwanIlustração editorial (representação estilizada, não documental).

Hezbollah ataca soldados israelitas; Israel elimina comandante da Força Radwan

« Por Patrick Lancier »

Na noite de 14 para 15 de agosto de 2026, Israel matou no sul do Líbano um comandante da milícia xiita apoiada pelo Irão. Segundo as Forças de Defesa de Israel, o alvo era Ali Samir Al-Haj Hassan, comandante de batalhão da Força Radwan, a unidade de elite do Hezbollah. O grupo disparou primeiro: um drone explosivo feriu com gravidade três soldados israelitas na zona de segurança que protege as povoações do norte de Israel, logo do outro lado da fronteira. Jerusalém respondeu ao quartel-general de onde, diz o exército, saiu a ordem do ataque. Não foi uma agressão israelita sem motivo. Foi o Hezbollah, braço armado do Irão no Líbano, a violar a trégua.

O Hezbollah, milícia apoiada pelo Irão, ataca soldados israelitas

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou no sábado que o Hezbollah violou o cessar-fogo ao atacar soldados israelitas na zona de segurança junto à fronteira e ferir com gravidade três deles, segundo a Associated Press e o JNS. O JNS identifica um oficial e dois praças, evacuados para um hospital. O exército israelita disse depois que a arma foi um drone explosivo na crista de Ali al-Taher, dentro da faixa de cerca de dez quilómetros onde opera ao abrigo do acordo de junho, de acordo com a AFP via France 24 e a BBC.

Essa faixa existe para impedir que o Hezbollah transforme a fronteira numa rampa de lançamento contra o norte de Israel. Atacar soldados ali é partir a trégua. A AP data o cessar-fogo em 20 de junho e o acordo-quadro patrocinado pelos Estados Unidos em 26 de junho: desarmar o Hezbollah, retirada israelita faseada, exército libanês no terreno. O Hezbollah recusou conversações diretas e não assinou o acordo. Continuou a atacar.

Israel elimina o comandante da Força Radwan em Ansar

O exército diz ter atingido um « quartel-general central » da Força Radwan em Ansar, a cerca de vinte quilómetros da fronteira israelita (AFP). Hassan morreu ali, juntamente com vários outros elementos do Hezbollah « envolvidos na preparação de ataques » contra soldados israelitas, segundo o comunicado reproduzido pelo Jerusalem Post e pela BBC. « O ataque foi especificamente dirigido a Hassan, um alvo legítimo à luz do direito internacional », afirmou o exército.

O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter — que chefia a equipa israelita de negociação com o Líbano — disse que o exército « agiu de forma decisiva contra o comandante do Hezbollah que ordenou o ataque » (JNS). No domingo, o Jerusalem Post acrescentou uma segunda operação, em Deir ez-Zahrani: a morte de Abu Hassan Alaa, comandante da Unidade Badr do Hezbollah, a quem o exército atribui o lançamento de drones contra as suas tropas. O Ministério da Saúde libanês, via AFP, falou de quatro mortos e 17 feridos em Deir Zahrani. O nome militar é o que o ministério não dá: mais um comandante do Hezbollah, não uma aldeia atingida ao acaso.

A família no quartel-general: prática de escudos humanos

O exército israelita reconheceu que a família de Hassan estava com ele no quartel-general e foi atingida. Sublinhou que não era o alvo. « O terrorista usou a família como escudos humanos, escondendo-se com ela dentro do quartel-general militar », declarou, citado pelo Jerusalem Post e pela BBC. Isto não é uma « versão israelita contestada ». É o método do Hezbollah: meter um posto de comando no meio de uma família e, depois da resposta, acusar Israel.

O gabinete do primeiro-ministro disse que o exército só soube depois que o Hezbollah tinha « colocado deliberadamente civis » naquele recinto militar. « O Hezbollah está disposto a tudo, incluindo usar os seus próprios civis como escudos humanos, para acusar falsamente Israel de visar civis de propósito, o que o exército claramente não fez » (Jerusalem Post). O Ministério da Saúde libanês, via AFP, contou sete mortos em Ansar, « incluindo três crianças e duas mulheres ». A AP escreve que partidários do Hezbollah publicaram fotografias do comandante, da mulher, de três filhos e de uma filha, e disseram que todos morreram. Quem os colocou naquele quartel-general foi o Hezbollah, não Israel.

Beirute na mesa: Israel avisa para não abandonar as conversações

Falava-se de uma oitava ronda de conversações sob mediação americana no início de setembro, em Roma (AFP, BBC). Leiter avisou: se o governo libanês usar o incidente « como pretexto para atrasar ou interromper as conversações de paz, entregaria uma vitória tática aos inimigos da paz ». « Fazer descarrilar as conversações é precisamente o que o Hezbollah tenta alcançar » (JNS). O Hezbollah prometeu uma « resposta apropriada » e pediu a Beirute que abandone negociações « humilhantes » (AFP). O presidente libanês Joseph Aoun viu nas operações uma « mensagem clara » ao processo americano (AP). O porta-voz de Netanyahu, Doron Spielman, disse à AFP o contrário: os ataques israelitas ao Hezbollah « devem relançar as negociações e torná-las muito mais sérias », não o inverso.

Para um leitor em Lisboa ou em São Paulo, o quadro é o mesmo de sempre no Levante: Teerão arma uma milícia no Líbano; essa milícia ataca soldados israelitas; Israel responde ao comandante. As conversações americanas continuam. O Hezbollah quer a mesa vazia. Israel defendeu os seus soldados e o norte do país.

FAQ

Quem foi o alvo?

Ali Samir Al-Haj Hassan, comandante de batalhão da Força Radwan do Hezbollah, em Ansar, segundo o exército israelita. No domingo, o Jerusalem Post reportou também Abu Hassan Alaa, da Unidade Badr, em Deir ez-Zahrani.

O Hezbollah é o braço armado do Irão no Líbano?

Sim. A AP, a BBC e a AFP descrevem o Hezbollah como milícia xiita apoiada pelo Irão. A Força Radwan é a unidade de elite desse movimento. Hassan comandava um batalhão, segundo Israel.

Israel visou civis?

Não, segundo o exército. Hassan usou a família como escudos humanos dentro de um quartel-general militar. O Ministério da Saúde libanês, via AFP, contou sete mortos em Ansar, incluindo três crianças e duas mulheres.

As conversações com o Líbano continuam?

Spielman (AFP): os ataques devem torná-las mais sérias. Leiter (JNS): sair da mesa seria uma vitória para os inimigos da paz. O embaixador americano no Líbano, Michel Issa, disse que as conversações « continuarão » (JNS).

Fontes


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