AUSTRAC alerta para empréstimos imobiliários falsos na Austrália

AUSTRAC alerta para empréstimos imobiliários falsos na Austrália

Por Patrick Lancier

TL;DR — AUSTRAC descobriu, a 19 de agosto de 2026, uma fraude hipotecária coordenada que a ABC News (Daniel Ziffer) cifra em «worth hundreds of millions of dollars» junto de dez grandes bancos. A Operation Claw expôs fraude coordenada e «systemic weaknesses» no crédito. Os imóveis estão sobretudo em Sydney. Brendan Thomas, presidente da agência, falou num «wake-up call» para cada mutuante. O projecto «did not identify evidence of widespread money laundering». A AML Intelligence escreve «potentially hundreds of millions» e que alguns bancos já «ended» relações. Nenhum banco foi nomeado. Isto não é um veredicto.

O que revelou a Operation Claw nas dez instituições?

A AUSTRAC cruzou dados de dez grandes mutuantes. Não publicou os nomes. A ABC fala em fraude «worth hundreds of millions of dollars». A AML Intelligence fala em «potentially hundreds of millions». A actividade, segundo a agência, não se cingiu a um banco nem a um grupo de mutuários. Os mesmos sinais de alerta apareceram em instituições que, em conjunto, cobrem a vasta maioria do mercado hipotecário australiano.

Os bens estão sobretudo em Sydney. As compras não cumpriram as regras de crédito responsável nem as regras contra o dinheiro sujo. Thomas: «The scale of this activity should be a wake-up call for every lender.» Já houve denúncias às autoridades competentes. Parceiros citados pela ABC: os bancos, a ATO, a polícia de Nova Gales do Sul, a NSW Crime Commission, a ACIC, a APRA e a ASIC. Nenhuma destas frases é uma condenação.

Como se fabricam os chamados «liar loans»?

A AUSTRAC descreve dossiers construídos com rendimentos inflacionados, emprego mal declarado e actividade empresarial fabricada ou inverificável. É esse o núcleo do «liar loan»: o pedido não diz a verdade sobre a capacidade de pagar. Em alguns casos, fundos offshore ou de terceiros serviram para concluir a escritura e para pagar as prestações. A agência afirma que fluxos de rendimento falsos e montagens complexas podem lavar dinheiro através do imobiliário australiano.

A AML Intelligence acrescenta sinais recorrentes: documentos falsificados ou enganadores e a reutilização dos mesmos mediadores hipotecários, contabilistas e escritórios de advogados em vários pedidos. Nomes de pessoas e de entidades potencialmente envolvidas em documentos falsos foram transmitidos à ATO e ao Tax Practitioners Board, bem como a reguladores e às autoridades. Esses nomes não são públicos na reportagem de 19 de agosto. Transmitir um nome não é condenar.

AUSTRAC: porque é que não há prova de branqueamento generalizado?

Thomas traçou um limite que este artigo não alarga. «While this project did not identify evidence of widespread money laundering, the weaknesses it exposed could be exploited by criminals seeking to abuse Australia’s financial system.» Primeira cláusula: o projecto não identificou prova de branqueamento generalizado. Segunda: as falhas vistas podem ser exploradas. A Claw é um dossier de vulnerabilidades, não um veredicto de branqueamento.

A distinção importa porque o imobiliário é um canal clássico de colocação. A AUSTRAC diz que o canal está aberto, não que tenha já sido usado em larga escala nos ficheiros analisados. Quem procure um país de origem não o encontra na ABC. A linguagem é «offshore or third-party», sem jurisdição nomeada. Este artigo não acrescenta nenhuma.

O que pedem os bancos australianos à administração fiscal?

A Australian Banking Association, pela voz de Simon Birmingham, saudou a acção da AUSTRAC. Birmingham disse que a partilha de informações através da Fintel Alliance já se revelou eficaz a descobrir actividade fraudulenta de empréstimos. A indústria pede agora acesso seguro aos dados de rendimentos da ATO. «Verified ATO data would give lenders a single, trusted source of truth for a customer’s income and be a new tool banks could deploy to prevent loan fraud into the future.»

A ABC não diz que esse acesso tenha já sido concedido. Alguns bancos participantes, segundo a AML Intelligence, usaram a informação para identificar empréstimos potencialmente fraudulentos e «ended» relações. A AUSTRAC espera mais medidas. Também pediu aos mutuantes que examinem os seus livros hipotecários e comuniquem actividade suspeita. O pedido da ABA e o apelo da agência apontam para a mesma falha: um rendimento que não se consegue verificar de forma independente.

Porque é que recuperar o dinheiro depois do desembolso é tão difícil?

«The most effective way to stop mortgage fraud is before a loan is approved», disse Thomas. «Once a loan is established and the funds have moved, recovering the money becomes significantly harder.» O alerta visa a origem do crédito, não uma unidade de recuperação. Um empréstimo que não deveria ter sido escrito é mais difícil de desfazer do que um dossier parado no momento da aprovação.

A ABC, em separado e sem o tratar como cifra da Claw, recorda o contexto mais antigo dos «liar loans»: o inquérito UBS de 2021 a cerca de 900 pessoas, em que 41 % dos dossiers não eram inteiramente exactos (custos de vida 34 %, encargos 28 %, rendimentos 22 %; mediadores 44 % contra 29 % em directo no banco). A ASIC processou a RAMS, então da Westpac; em outubro, o Federal Court fixou uma sanção de 20 milhões de dólares australianos após confissão de «widespread compliance failures». Neste mês, o livro da RAMS foi vendido à Pepper Money por 15,4 mil milhões de dólares australianos. São pano de fundo. Não são a Operation Claw. A Claw, a 19 de agosto de 2026, é um alerta, um conjunto de denúncias e um limite: nenhum banco nomeado, nenhuma conclusão de branqueamento generalizado, nenhum veredicto.

Perguntas frequentes

A AUSTRAC nomeou os dez bancos?

Não. Nem a ABC nem a AML Intelligence publicaram os nomes. Thomas disse apenas que os mesmos sinais foram encontrados em bancos que, em conjunto, cobrem a vasta maioria do mercado hipotecário australiano.

Qual é o montante avançado?

ABC: «worth hundreds of millions of dollars». AML Intelligence: «potentially hundreds of millions». A AUSTRAC não publicou um total mais preciso. Este artigo não inventa outro.

Há uma condenação por branqueamento?

Não. Thomas afirmou que o projecto não identificou prova de branqueamento generalizado. Alertou para o risco de exploração das falhas. Isso não é uma decisão judicial.

O inquérito UBS de 2021 faz parte da Claw?

Não. É contexto da ABC, claramente separado: cerca de 900 pessoas, 41 % de dossiers não inteiramente exactos. A sanção da RAMS de 20 milhões de dólares australianos também é contexto, não um resultado da Operation Claw.

Já houve denúncias às autoridades?

Sim. Thomas disse que já foram feitas referrals. A AML Intelligence acrescenta que nomes foram enviados à ATO, ao Tax Practitioners Board, a reguladores e às autoridades. Denúncia não é condenação.

Fontes


Por Patrick Lancier

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