Em resumo
- Foram colocados 49.991 estudantes na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026/2027, mais 13,9% (+6.092) do que no ano anterior.
- É o maior número de colocados da década, excluindo os anos atípicos da pandemia.
- A taxa de ocupação global subiu para 88,9% e sobram apenas 6.639 vagas para a 2.ª fase — menos 42,3% do que em 2025.
- Os resultados oficiais podem ser consultados a partir das 00h01 de domingo, 23 de agosto, no site da DGES.
- As matrículas da 1.ª fase decorrem de 23 a 27 de agosto; as candidaturas à 2.ª fase, de 24 de agosto a 20 de setembro.
O regresso da possibilidade de concorrer com apenas uma prova de ingresso mudou a fotografia do acesso ao ensino superior público. Com 60.513 candidatos válidos — o número mais alto desde 1996, fora dos anos de pandemia —, o sistema encheu-se como não acontecia há muito: 49.991 estudantes foram colocados na 1.ª fase do concurso nacional de 2026/2027.
Quantos estudantes foram colocados na 1.ª fase?
Os números da 1.ª fase são claros. De um total de 61.147 candidatos, 60.513 viram a candidatura considerada válida — uma subida de 24,2% face a 2025. Destes, 82,6% conseguiram lugar, o que corresponde aos 49.991 colocados.
Havia 56.228 vagas iniciais, mais 1,7% do que no ano passado. A taxa de ocupação global fixou-se em 88,9%, uma subida de 9,5 pontos percentuais. Dos 1.170 pares instituição/curso com vagas, 759 preencheram tudo — mais 201 do que em 2025 — e apenas 39 ficaram sem qualquer colocado.
Porque é que houve tantos mais candidatos este ano?
O fator determinante foi a entrada em vigor do novo modelo que permite às instituições fixar elencos alternativos de provas de ingresso com um único exame nacional. Segundo os dados oficiais, 88% dos cursos elegíveis — 1.330 em 1.519 — disponibilizaram pelo menos um elenco com apenas uma prova.
O efeito foi imediato: mais candidatos elegíveis, mais concorrência e, em muitos cursos, notas de entrada mais altas.
Quantos entraram na primeira opção?
Com mais concorrência, a percentagem de colocados na primeira escolha recuou. Ficou em 53,6% (26.819 estudantes), contra 63,1% no ano anterior. Somando as três primeiras opções, 84,5% dos colocados conseguiram um curso entre as suas preferências de topo — em 2025 tinham sido 90,9%.
Universitário ou politécnico: onde estão as diferenças?
Os dois subsistemas cresceram, mas a recuperação mais forte foi a do politécnico.
- Ensino universitário: 33.312 colocados (+8,4%), taxa de ocupação de 95,7% e apenas 1.733 vagas sobrantes. A procura global atingiu 125% das vagas. Destaque para a Universidade do Porto (99,1%), a Universidade de Lisboa (98,9%), o ISCTE (98,8%) e a Universidade de Coimbra (98,4%).
- Ensino politécnico: 16.679 colocados (+26,5%), com a ocupação a subir 16,1 pontos para 77,9%. Concentra, ainda assim, 74% das vagas por preencher (4.906).
A assimetria entre litoral e interior desapareceu?
Não. Reduziu-se, mas continua vincada. O litoral registou uma taxa de ocupação de 94,1%, com 122 candidatos em primeira opção por cada 100 vagas; o interior ficou nos 69,2% — ainda assim uma subida de 9 pontos — com 49 candidatos em primeira opção por cada 100 vagas. O interior representa 19,8% das vagas iniciais, mas acolhe 52,4% de todas as vagas sobrantes do país.
Nas regiões autónomas houve subidas fortes: os Açores passaram de 65% para 85% de ocupação e a Madeira de 66% para 84%.
Que áreas encheram e quais ficaram com vagas?
Saúde e Proteção Social (96%), Artes e Humanidades (96%), Educação (95%) e Ciências Sociais, Comércio e Direito (95%) lideraram o preenchimento.
No lado oposto, Engenharia, Indústria e Construção ocupou 80% das vagas mas reúne 2.522 lugares por preencher — 38% de tudo o que estará disponível na 2.ª fase. Seguem-se Ciências, Matemática e Informática (82%, 1.052 vagas), Serviços (79%, 814 vagas) e Agricultura (65%).
Quais são os próximos prazos?
- Consulta dos resultados: a partir das 00h01 de domingo, 23 de agosto, no site da DGES e das instituições.
- Matrículas e inscrições da 1.ª fase: de 23 a 27 de agosto, junto da instituição de colocação.
- Candidaturas à 2.ª fase: de 24 de agosto a 20 de setembro, com 6.639 vagas disponíveis.
- Resultados da 2.ª fase: 30 de setembro.
A DGES disponibilizou também o ficheiro com as notas do último colocado pelo contingente geral em todos os cursos — o documento essencial para quem vai preparar a 2.ª fase.
FAQ
Quantos estudantes foram colocados na 1.ª fase de 2026?
Foram colocados 49.991 estudantes, mais 13,9% (+6.092) do que na 1.ª fase de 2025.
Quando saem os resultados oficiais?
Os resultados podem ser consultados a partir das 00h01 de domingo, 23 de agosto, no site da DGES e nas páginas das instituições de ensino superior.
Quantas vagas sobram para a 2.ª fase?
Sobram 6.639 vagas, menos 42,3% do que no ano anterior. As candidaturas decorrem de 24 de agosto a 20 de setembro e os resultados são divulgados a 30 de setembro.
Quando são as matrículas da 1.ª fase?
De 23 a 27 de agosto, diretamente junto da instituição onde o estudante foi colocado.
Porque é que houve mais candidatos este ano?
Por causa do novo modelo que permite concorrer com apenas uma prova de ingresso: 88% dos cursos elegíveis (1.330 em 1.519) passaram a disponibilizar pelo menos um elenco com um único exame nacional.
Por Patrick Lancier

