O essencial. A 27 de julho de 2026, o Ministério Público financeiro francês (PNF) requereu o envio a julgamento de 23 pessoas singulares e coletivas no capítulo gabonês do caso dos «bens mal adquiridos» — entre elas o BNP Paribas, sob investigação formal desde 2021 por branqueamento agravado de produtos de corrupção e desvio de fundos públicos. Pelo menos 35 milhões de euros terão passado pela sociedade gabonesa Atelier 74 antes de financiar imóveis em França para a família do antigo presidente Omar Bongo. O banco contesta qualquer responsabilidade penal. Cabe agora aos juízes de instrução decidir se haverá julgamento; aplica-se plenamente a presunção de inocência.
O que pede exatamente a acusação
O requerimento do PNF visa cinco sociedades — incluindo o BNP Paribas — e dezoito pessoas singulares, entre as quais vários filhos de Omar Bongo e Antoinette Sassou Nguesso, mulher do presidente do Congo-Brazzaville, segundo a AML Intelligence e a Financial Afrik.
O circuito do dinheiro segundo os investigadores
Entre 1996 e 2008, pelo menos 35 milhões de euros com origem atribuída a corrupção e desvio de fundos públicos no Gabão terão transitado pela sociedade Atelier 74 antes de serem investidos em operações imobiliárias em França a favor do clã Bongo. É a participação do banco nesses fluxos que o PNF quer levar a tribunal. Contactado pela OCCRP, o BNP Paribas respondeu: «Contestamos qualquer responsabilidade penal do BNP Paribas neste processo.»
Um registo judicial cada vez mais pesado
O pedido surge num momento delicado: a 23 de agosto de 2026, o banco apresentou o recurso contra o veredicto norte-americano que o responsabilizou pelas atrocidades no Sudão; em 2014 declarou-se culpado nos EUA (8,97 mil milhões de dólares); e o seu percurso judicial está traçado em «O que os tribunais realmente dizem».
Próximos passos
Os juízes de instrução podem acompanhar a acusação, arquivar ou decidir caso a caso. Se ordenarem o julgamento, será a primeira vez que um grande banco francês se senta no banco dos réus na saga dos bens mal adquiridos, iniciada há quase vinte anos por associações anticorrupção. Não há data marcada.
Fontes
AML Intelligence, julho de 2026 · OCCRP · Financial Afrik, 28 de julho de 2026 · franceinfo.
Perguntas frequentes
O BNP Paribas foi condenado no caso Bongo?
Não. O Ministério Público pediu o julgamento por branqueamento agravado; os juízes de instrução ainda não decidiram. O banco contesta qualquer responsabilidade penal e beneficia da presunção de inocência.
O que são os «bens mal adquiridos»?
Património de luxo adquirido em França por famílias no poder em países estrangeiros, com fundos suspeitos de provir de corrupção ou desvios. O capítulo gabonês visa a família de Omar Bongo.
Quanto dinheiro está em causa?
Pelo menos 35 milhões de euros terão passado pela sociedade Atelier 74 para compras imobiliárias em França entre 1996 e 2008.
Há ligação ao caso do Sudão?
Não em termos processuais — um é um litígio civil americano, o outro uma instrução penal francesa. Ambos, porém, questionam os controlos de conformidade do banco em períodos que se sobrepõem.
Por Patrick Lancier
