Governo pede à PGR um inquérito após um doutorando israelita deixar Coimbra
« Por Patrick Lancier »
O gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior pediu ao procurador-geral da República, Amadeu Guerra, um inquérito às suspeitas de antissemitismo na Universidade de Coimbra, segundo um documento de 6 de agosto a que a Lusa teve acesso a 13 de agosto, relata o Observador. O denunciante, Bar Harel, doutorando de nacionalidade americana, portuguesa e israelita, abandonou o doutoramento em Engenharia Informática.
O pedido da tutela, 6 de agosto
O documento foi remetido a Amadeu Guerra, com conhecimento ao diretor do DCIAP, Rui Cardoso, e ao diretor do DIAP de Coimbra, Jorge Leitão. O gabinete invoca o dever de denúncia. Tomou conhecimento da situação por expediente oficial do gabinete do primeiro-ministro, a 22 de maio de 2026, com origem numa comunicação de cidadãos recebida oito dias antes.
A tutela escreve que os autores concretos ainda não estão identificados. Pede que a PGR ordene as diligências legais. Em causa poderão estar, segundo o mesmo texto, discriminação e incitamento ao ódio e à violência, apologia terrorista, ameaça e ofensa à integridade física.
Os factos denunciados: cartazes, bandeiras, ameaças
Os factos « terão sido » praticados, pelo menos, entre julho de 2024 e maio de 2026, na Faculdade de Ciências e Tecnologia e nas faculdades de Direito, Medicina e Química. Terão sido afixados cartazes com as frases « Zionists should carry a certificate to prove they’re human » e « Beware of Zionists ». Terão sido hasteadas bandeiras do Hezbollah, exibidas imagens de apoio ao Hamas, e afixada a frase « Yahya Sinwar was a hero ».
Bar Harel terá sido alvo de ameaças de morte, incluindo « your family desserves a second Holocaust », e de uma alegada agressão por ostentar uma pequena bandeira de Israel na mochila, lê-se na comunicação ao Ministério Público, citada pelo Observador. Depois disto, abandonou o doutoramento.
A versão da UC e o que disse a Provedoria
Em resposta à Lusa, a Universidade de Coimbra diz que acompanhou o estudante e analisou as queixas. Afirma que as queixas eram vagas, que os cartazes não foram localizados no campus, e que participou a situação às autoridades. A UC afirma ainda que o estudante exigiu três milhões de euros para não avançar com procedimentos legais. É a versão da Universidade. Não é um facto julgado.
The Jerusalem Post cita uma decisão da Provedoria de Justiça, de março de 2026, que criticou a Universidade de Coimbra por passividade substancial face ao ambiente hostil descrito por Harel. O inquérito pedido à PGR é o passo seguinte do Estado, não uma sentença.
FAQ
Quem pediu o inquérito?
O gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior, num documento de 6 de agosto enviado a Amadeu Guerra. Lusa via Observador, 13 de agosto de 2026.
O que terá acontecido em Coimbra?
Entre julho de 2024 e maio de 2026, terão sido afixados cartazes antissemitas, hasteadas bandeiras do Hezbollah e exibidas imagens do Hamas. Bar Harel terá sofrido ameaças de morte e uma alegada agressão. Observador.
Quem é Bar Harel?
Doutorando em Engenharia Informática, de nacionalidade americana, portuguesa e israelita. Abandonou o doutoramento. Observador.
A UC confirma os cartazes?
Não. Diz que as queixas eram vagas e que os cartazes não foram localizados. Afirma ter participado às autoridades. A exigência de três milhões de euros é a versão da UC, não um facto julgado. Observador.
Fontes
- Observador / Lusa, 13 de agosto de 2026 — documento de 6 de agosto; PGR Amadeu Guerra; DCIAP Rui Cardoso; DIAP Coimbra Jorge Leitão; 22 de maio; factos « terão sido »; cartazes; Hezbollah; Hamas; Sinwar; ameaças; agressão alegada; resposta da UC; três milhões, versão da UC.
- The Jerusalem Post — Provedoria de Justiça, março de 2026: passividade substancial da Universidade de Coimbra.
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