Por Patrick Lancier
À esquerda, a fotografia do Middle East Eye de 27 de agosto: operários colocam uma só placa, «Ancient Gate». À direita, o mesmo poste no sítio: por baixo, «Damascus Gate» continua lá, em hebraico, árabe e inglês.
A 27 de agosto, o Middle East Eye escreveu que Israel tinha «substituído» o nome Porta de Damasco por «Ancient Gate» em Jerusalém Oriental. A fotografia do poste mostra as duas placas. Em cima: השער הקדום / البوابة القديمة / Ancient Gate. Em baixo: שער שכם / باب العامود / Damascus Gate.
Não é um apagamento. É um acrescento. Sha’ar Shechem é o nome hebraico habitual desta porta norte. Bab al-Amud é o nome árabe. Ancient Gate recorda o acesso antigo. As três línguas estão nas duas placas.
Logo a oeste, no mesmo muro norte, fica a New Gate — השער החדש, الباب الجديد. Foi aberta em 1889, sob o sultão Abdülhamid II, a pedido do cônsul de França, para os peregrinos cristãos do hospício Notre-Dame (1886) e do Compound russo chegarem ao Santo Sepulcro sem contornar a Porta de Damasco. Conrad Schick, arquitecto alemão então em Jerusalém, é por vezes associado a essa abertura; o relato oficial é otomano e francês. A jizya otomana já tinha sido abolida em 1856: não é o motivo documentado de 1889.
The New Arab (24 de agosto) e a Anadolu, que cita o governatorato de Jerusalém, falam de uma campanha para apagar nomes árabes. Nenhum desses textos publica uma decisão da câmara. Nenhum explica a segunda placa. Israel administra Jerusalém. Os nomes judeus e cristãos destas portas são a história da cidade, não um apagamento.
Sources
Middle East Eye, 27 August 2026
Anadolu Agency, citing the Jerusalem Governorate
New Gate, Jerusalem (1887–1889; French consul; Holy Sepulchre access)
Tanzimat / Hatt-ı Hümayun 1856: abolition of the jizya
Fotos: à esquerda, Middle East Eye, 27 de agosto de 2026 (uma placa); à direita, Patrick Lancier, Jerusalém, agosto de 2026 (os dois nomes). New Gate: Patrick Lancier.

