Coimbra: Ministério pede inquérito criminal após campanha antissemita

Coimbra: Ministério pede inquérito criminal após campanha antissemita

Por Patrick Lancier

TL;DR — O gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico, pediu ao Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, a abertura de um inquérito criminal sobre uma campanha antissemita na Universidade de Coimbra. O pedido foi também enviado ao DCIAP e aos procuradores de Coimbra. A CAM e a JNS, a 19 de agosto de 2026, relatam a Lusa de 13 de agosto. O período apontado vai de julho de 2024 a maio de 2026. Bar Harel, doutorando israelita em engenharia informática, com cidadanias israelita, portuguesa e norte-americana, abandonou o doutoramento. Isto é um pedido de investigação. Não é uma acusação formal nem um veredicto.

O que pediu o gabinete de Cláudia Sarrico ao Procurador-Geral?

Pediu a abertura de um inquérito criminal. O destinatário nomeado é Amadeu Guerra. Cópias seguiram para o DCIAP e para os procuradores de Coimbra. A Lusa datou o passo a 13 de agosto de 2026. A CAM e a JNS relataram-no a 19 de agosto. Nenhuma destas peças descreve um despacho de pronúncia, um arguido constituído ou uma sentença. O Ministério pede que o Ministério Público investigue. O Ministério Público, nestas fontes, ainda não publicou o resultado.

A Embaixada de Israel em Lisboa saudou o passo. Um porta-voz escreveu no X: «We are pleased to learn that the Portuguese authorities have decided to open an investigation into antisemitism at the University of Coimbra.» A frase fala de investigação. Não fala de condenação. Este artigo não antecipa o Procurador-Geral.

Que ofensas possíveis e que período estão em causa?

A CAM e a JNS, citando a Lusa, listam ofensas possíveis: discriminação, incitamento ao ódio e à violência, apologia pública de uma organização terrorista, ameaças e ofensas corporais. A lista é um elenco de hipóteses para o inquérito. Não é um quadro de acusações já deduzidas. O intervalo indicado é julho de 2024 a maio de 2026. As faculdades apontadas — Ciências e Tecnologia, Direito, Medicina, Química — vêm da JNS/Lusa. Este artigo não acrescenta outras escolas nem outro calendário.

A CAM tinha relatado o caso pela primeira vez no verão de 2025. O pedido de 2026 não cria os factos. Coloca-os, agora, à porta do Ministério Público. Um leitor que transformasse «ofensas possíveis» em «crimes julgados» sairia das fontes. O gabinete de Sarrico pede que se investigue se esses tipos legais cabem. Não afirma que já cabem.

Quem é Bar Harel e o que documentou a campanha?

Bar Harel é um estudante de doutoramento israelita em engenharia informática. Tem cidadanias israelita, portuguesa e norte-americana. Abandonou o doutoramento. Depois de publicar investigação, foi alvo de doxxing e tratado como «war criminal». Folhetos diziam que não deveria poder comprar pão. Uma mensagem dizia: «Your family deserves a second Holocaust.» A CAM relata que foi agredido por transportar uma pequena bandeira israelita. A JNS fala de ameaças de morte e de agressão física por exibir uma pequena bandeira israelita na mochila. As duas formulações descrevem o mesmo núcleo: bandeira, ameaça, agressão. Não se inventa aqui um auto de polícia que as fontes não publicam.

Autocolantes, segundo a CAM: «The chosen people like to kill babies»; «Zionists should carry a certificate proving they’re humans.»; «Zionism is an evil cult.» Um cartaz: «Attack your local Zionist». Outro retratava Yahya Sinwar como herói. Harel compilou prova fotográfica, grande parte publicada pela CAM. A Universidade, nas mesmas peças, nega má condução: as queixas seriam demasiado vagas e os autocolantes e cartazes não teriam sido localizados. A prova fotográfica e essa negação ficam as duas no dossier. Nenhuma das duas é um acórdão.

O que concluiu o Provedor de Justiça em março de 2026?

O Provedor de Justiça, em março de 2026, concluiu que a universidade mostrou «passividade substancial» e que falhou em prevenir, reduzir ou resolver. Concluiu também que a universidade violou direitos de Harel ao ameaçar agir judicialmente se ele tornasse o caso público. Estas são conclusões do Provedor, não do tribunal criminal. O pedido de Sarrico a Guerra chega meses depois. Não substitui o Provedor. Não o transforma em sentença penal.

Harel declara: «We are fighting so that Israeli and Jewish students will no longer be targets of hatred in educational institutions and so that the law will be enforced equally.» A frase pede igualdade na aplicação da lei. Não antecipa o inquérito. A CAM e a JNS não publicam, neste relato, um número de queixas, um número de agressores identificados ou um montante de indemnização. Este artigo não os inventa.

Como responde a Universidade — e o que este pedido ainda não é?

A Universidade nega ter lidado mal com o caso. Diz que as queixas eram vagas e que não conseguiu localizar autocolantes nem cartazes. Harel responde com o arquivo fotográfico, em grande parte já público via CAM. O contraste fica registado. Não se decide aqui quem tem razão sobre cada parede. Decide-se só o que as fontes autorizam a escrever: há um pedido de inquérito, há um relatório do Provedor que fala em passividade substancial e em ameaça de ação judicial contra a publicidade do caso, há uma universidade que contesta a má condução, há um estudante que abandonou o doutoramento.

Isto não é um veredicto. Não há, nas peças da CAM e da JNS de 19 de agosto de 2026, arguidos nomeados pelo Ministério Público, nem acusação deduzida, nem condenação. O gabinete de Cláudia Sarrico pediu a Amadeu Guerra que investigasse. O período, as faculdades, as ofensas possíveis, os autocolantes, o cartaz sobre Sinwar, a mensagem do «second Holocaust», a agressão pela bandeira, a passividade substancial e a saudação da embaixada estão no dossier. O julgamento não está. Coimbra, nesta data, é um pedido. Não é uma sentença.

Perguntas frequentes

Isto já é uma condenação?

Não. É um pedido do gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior ao Procurador-Geral para abrir inquérito criminal. Também foi enviado ao DCIAP e aos procuradores de Coimbra. Não há veredicto nas fontes usadas.

Que ofensas possíveis estão listadas?

Discriminação, incitamento ao ódio e à violência, apologia pública de uma organização terrorista, ameaças e ofensas corporais. São hipóteses para o inquérito, não acusações já julgadas. Período: julho de 2024 a maio de 2026.

Quem é Bar Harel?

Doutorando israelita em engenharia informática, com cidadanias israelita, portuguesa e norte-americana. Abandonou o doutoramento. A CAM relatou o caso pela primeira vez no verão de 2025.

O que disse o Provedor de Justiça?

Em março de 2026, que a universidade mostrou passividade substancial e falhou em prevenir, reduzir ou resolver, e que violou direitos de Harel ao ameaçar agir judicialmente se ele fosse a público.

A Universidade aceita essa leitura?

Não. Nega má condução: queixas vagas, autocolantes e cartazes não localizados. Harel compilou prova fotográfica, em grande parte publicada pela CAM.

Fontes


Por Patrick Lancier


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