Dívida dos EUA ultrapassa 40 biliões de dólares pela primeira vez
« Por Patrick Lancier »
TL;DR — A France 24, com a AFP, escreve que a dívida do Tesouro dos EUA chegou a 40,047 biliões de dólares após a emissão de terça-feira. Os números foram publicados na quarta-feira, 19 de agosto, pelo ministério das Finanças. É a primeira vez que a fasquia dos 40 biliões é ultrapassada. O Congressional Budget Office (CBO) previa 39,4 biliões até ao fim do ano. Na terça, o yield das obrigações a 30 anos atingiu o nível mais alto desde 2007. Na quarta, o Tesouro anunciou recompras mais alargadas de obrigações de longo prazo a partir de setembro; a France 24 diz que isso tranquilizou os investidores e aliviou as taxas. Não há um yield em número nesta peça. Este artigo não inventa nenhum. Não é um default. Em português europeu: 40,047 biliões (10¹²), não « mil milhões ».
De onde vem o 40,047 biliões?
France 24 data: publicação na quarta, após a emissão de terça. Fonte: ministério das Finanças. A subida vem, segundo o mesmo artigo, de empréstimos ligados à saúde e à segurança social, e dos juros. Mais rápido do que o previsto: o CBO apontava 39,4 biliões até ao fim do ano. Os custos de financiamento estão em níveis que não se viam há anos, no contexto de inflação, conflito no Médio Oriente e preços da energia. Terça: 30 anos no máximo desde 2007. Quarta: recompras mais alargadas a partir de setembro; investidores tranquilizados, taxas mais folgadas. Sem montante de recompra na peça.
O que dizem Riedl e Quakenbush — sem oráculo
Jessica Riedl, Brookings Institution, citada pela France 24: o ritmo de défice federal « não é sustentável ». Situa os défices em torno de 6% a 7% do PIB, contra 3% a 4% que noutros tempos inquietavam. « Isso tornou os mercados mais nervosos. » Caleb Quakenbush, Bipartisan Policy Center, à AFP: a trajetória não foi tratada pelo Congresso nem pelas administrações de forma « significativa ou duradoura », o que pode colocar desafios sérios em caso de nova crise. France 24: a dívida mais do que duplicou desde 2008 e representa cerca de 125% do PIB. Os analistas recordam que não existe um nível de endividamento face ao PIB que dispare automaticamente uma crise, e que a dívida detida pelo público — fora créditos intra-governamentais — é o indicador mais seguido. Riedl: os limiares psicológicos alertam os mercados.
Donald Trump prometeu, nos dois mandatos, cortar despesa e reduzir o défice anual. Scott Bessent visava 3% do PIB, segundo a France 24. O défice alargou-se nos últimos meses, nomeadamente por causa do reembolso de direitos aduaneiros às empresas, anulados pelo Supremo Tribunal em fevereiro. Os cortes de impostos e a despesa militar, em especial ligada ao conflito com o Irão, « também engoliram muitos milhares de milhões de dólares ». A France 24 não dá um total para o Irão. Este artigo não inventa nenhum.
FAQ
Qual é o número exato?
40,047 biliões de dólares após a emissão de terça, publicados na quarta 19 de agosto, segundo France 24 / AFP.
O CBO previa 40 biliões em 2026?
Não. Previa 39,4 biliões até ao fim do ano.
Há um yield a 30 anos em número?
Não. Apenas o máximo desde 2007, na terça.
É um default?
Não. Um limiar de stock, taxas altas, recompras a partir de setembro.
125% do PIB é a dívida detida pelo público?
A France 24 dá cerca de 125% para « a dívida do país » e, à parte, diz que o indicador mais seguido é a dívida detida pelo público. Não fundir.
Sources
- France 24, 20 agosto 2026, com AFP — 40,047 biliões, CBO, 30 anos, Riedl, Bessent
- La Presse, 19 agosto 2026 — o mesmo fio AFP
« Por Patrick Lancier »
